Eram escravizados a quem a República prometeu liberdade em troca do serviço nas armas. Formaram um corpo de cavalaria temido — os Lanceiros Negros — e pagaram o preço mais alto da Revolução: o massacre de Porongos, em 14 de novembro de 1844.
A promessa
Ao longo da guerra, a República Rio-Grandense incorporou escravizados às suas tropas sob a promessa de alforria. Nascia assim o Corpo de Lanceiros Negros, unidade de cavalaria que se destacou pela bravura em diversas batalhas — prova viva de que a liberdade, para eles, tinha preço de sangue.
14 de novembro de 1844
No Cerro de Porongos (atual Pinheiro Machado), o acampamento dos lanceiros foi surpreendido ao amanhecer por tropas imperiais — e praticamente aniquilado. Até hoje a historiografia debate as circunstâncias: teria havido um arranjo prévio entre lideranças farroupilhas e imperiais para se livrar de um contingente incômodo às vésperas da paz? As cartas e versões divergem, e a polêmica segue aberta.
A liberdade que não veio
O golpe final veio no próprio Tratado de Ponche Verde: não houve libertação dos escravizados que lutaram — para não provocar insurreições no resto do Império, parte foi devolvida aos antigos donos e outros foram vendidos no Rio de Janeiro. É o capítulo mais doloroso da Revolução — e por isso mesmo o mais necessário de lembrar.
“Celebrar a Revolução de verdade é honrar também quem ela esqueceu.”
— Comissão Organizadora