Antes de receber a Sessão Farroupilha, a Estância Freguesia já guardava o ponto zero da história de Palmas e do Sudoeste do Paraná: o marco inicial da colonização, o primeiro cemitério da região e as memórias da Freguesia Velha, de 1836.
O ponto onde Palmas começou
A cerca de 25 quilômetros do centro de Palmas, às margens da PRC-280 no sentido da BR-153, na divisa do Paraná com Santa Catarina, a propriedade abriga o local exato onde começou a colonização do Sudoeste. Ali foram erguidas, em 1836, as primeiras duas casas da região — e ali está o primeiro cemitério, onde teriam sido sepultados seis desbravadores mortos em confrontos com os indígenas kaingangues, que dominavam os campos.
Durante a restauração do cemitério foram encontradas três moedas de réis cunhadas em 1869, hoje guardadas na sede da fazenda — testemunhas silenciosas de quase dois séculos de história.
Por que “Freguesia”?
O nome vem da origem administrativa da cidade: em 28 de fevereiro de 1855, a Lei Provincial nº 22 elevou Palmas à categoria de freguesia, criando a “Freguesia – Paróquia de Palmas”. O vilarejo formado pelos primeiros colonizadores ficou conhecido como Freguesia Velha — e, durante a Guerra do Contestado, o local passou a pertencer a Água Doce, em Santa Catarina. Do antigo vilarejo não restam construções, apenas o ponto exato das primeiras moradias.
A família que preserva
Adquirida pela família Abdalla em 1983, a propriedade passou por um trabalho de restauração e construção conduzido por José Luiz Abdalla, filho de pioneiros da região. Foram restaurados o cemitério — com cercado de pedra e cruz — e erguido em 1985, pelo pioneiro João Ribeiro, o Marco Inicial de Palmas. Nos últimos anos nasceram a Casa de Pedra e a Capela de Pedra, construídas para receber amigos e convidados, no estilo das construções históricas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
“Não existe lugar mais apropriado: celebramos a tradição gaúcha exatamente onde a história desta terra começou.”
— Comissão Organizadora
De fazenda histórica a casa da Sessão
Foi esse cenário — galpão, campo aberto, fogo de chão e quase 200 anos de história — que a ARLS Campos de Palmas nº 182 escolheu em 2021 para sediar a Sessão Farroupilha. Desde então, a porteira da Estância se abre todo mês de setembro para receber irmãos de todo o Mercosul, unindo a memória dos desbravadores à fraternidade dos dias de hoje.
Fontes desta matéria
Jornal A Folha — “Colonização de Palmas e do Sudoeste tem primórdios preservados em fazenda” (abr/2026); Prefeitura Municipal de Palmas — história do município; histórico oficial da Sessão Farroupilha (camposdepalmas182.com.br).